sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Objeto Cultural

 

ATENÇÃO: De preferência conhecer a música antes de ler o conteúdo a seguir.

Link audiovisual Eu sou favela: https://www.youtube.com/watch?v=FuhxGsu8Gq4

Link letra Eu sou favela: https://www.letras.mus.br/cesar-mc/eu-sou-favela-part-vk-mac-e-mc-cabelinho/

Hoje trago mais uma música do grande Cesar MC, chamada "Eu sou favela" com participação do Vk Mac e do MC cabelinho. Logo em seu lançamento (08/09/20) fiquei fascinada no som, a letra é totalmente pensada em relatar o cotidiano de uma favela brasileira, mas o que mais me chamou atenção foi o clipe, a visibilidade que os MCs e a produtora (PineappleStormTV) deram para as pessoas que residem na favela, que são reféns de um sistema que cria classes, exclui esses indivíduos de baixa renda que tem tanto a oferecer a nossa sociedade que por conta dessa exclusão não possuem voz e como diz a música, a favela só grita paz.


Vou começar falando sobre o refrão que é a parte do Vk Mac. Esse verso, que se repete mais vezes na música, fala para Deus abençoar as pessoas que vivem na favela, isso porque os indivíduos que residem nas comunidades passam por diversas dificuldades e são pouco vistos pela sociedade, por esse motivo Deus teria que cuidar e abençoar mais estas pessoas. A frase "becos e vielas ainda gritam paz" do refrão, diz resumidamente o que a música fala e o que o Rap, sendo um estilo musical traz, que é a crítica social. A favela não é bagunça, não existe só criminoso nas comunidades e pobre não é sinônimo de "vagabundo". 
No verso do Cesar MC ele inicia falando que a favela é um lugar de ouro, com uma vista linda, na minha opinião as favelas brasileiras possuem uma beleza imensa, mas muitas vezes elas são marginalizadas e por isso não recebem o reconhecimento positivo que deveriam receber. Essa introdução do Cesar Mc tem relação com os fatores comentados no refrão. A favela é felicidade, talento, mas nem sempre isso vai ser suficiente, a cor da pele, a quantia no bolso, são fatores que influenciam em como as pessoas vão te tratar e o modo como você ira ser reconhecido. O MC em questão nesse verso, fala da correria que tem aqueles que optaram lutar e seguir o caminho correto, pois muitos por dificuldades são levados ao caminho mais fácil. Nessa parte é mencionado o Negão da BL que é Matheus Bento, ele representa o que o Cesar fala, o Negão da BL ficou famoso por vídeos de humor na internet, mas já cantava a muito tempo. Ele é um artista que agora recebeu todo o reconhecimento que merece e que no momento se expressa através da internet, de suas músicas, por entrevistas, entre outros meios, as dificuldades que existem na periferia.


MC Cabelinho relembra que na maioria das vezes aquelas crianças que estão no mundo do crime são consequência de um sistema que não presta apoio, que não se preocupa com as pessoas que passam dificuldades na vida. Como é dado o exemplo na música muitos crescem sem mãe, sem pai, sem família alguma e então, como faz? "O foda é quando infelizmente alguns só tiveram essa opção (...)".
Como já havia dito antes o que mais me chamou atenção foi o clipe, pela visibilidade que ele trouxe para as favelas brasileiras e o que realmente elas são, resistência. Com o passar do clipe é contada, resumidamente, a história de alguns residentes das favelas do Rio de Janeiro que tornaram-se empreendedores e nesse meio seguem prosperando, projetos sociais que fazem uma realização linda nas comunidades. Ao final um homem (infelizmente não entendi o nome) que é pedreiro, poeta e possui o talento de tocar violão diz, "Nós nascemos e vivemos, a morte é o fim de tudo. Então por que a ganância, pra que possuir tanto quando muitos não tem nada? Por que o ódio? Por que a inveja? Pra que o racismo e a descriminação? Por que e pra que a guerra? Me responde, só isso". Com isso perecemos que não importa nossas diferenças, o fim é o mesmo para todos.




   


sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Diário Ficcional

11 DE SETEMBRO

Hoje eu acordei, recebi uma ligação, era o Danilo, meu produtor ele disse assim:

-Projota hoje tem lançamento. 

Já fiquei como, todo nervoso mas sabia que tudo ia dar certo, minha música com o Xamã ia estourar! Desliguei a chamada e parei pra refletir, poxa que vida louca irmão, é só pensar quanta coisa mudou, não? Antes o meu dia a dia parecia um eterno corre eu nunca poderia parar, tinha que suar muito pra conquistar meu sonho de muleque. Sabe cara não foi nada da noite pro dia como as pessoas imaginam. Com 16 percebi que minha caminhada tinha que começar e que ela não seria nada fácil, mas e daí? O que eu tinha pra falar através do Rap era e com certeza ainda é muito importante. Sempre me disseram "que mané Rap, não vai nessas fitas não" ou "irmão se já se olhou no espelho? Preto não fica famoso não". O que eles não contavam é que meu sonho também era mostrar que preto não é escravo da sociedade e a esperança sempre reinou, minha cor nunca me atrapalhou e Deus sempre me abençoou. Ser humilhado, xingado foram detalhes da minha carreira, hoje o homem que sou se orgulha e tem um sorriso de orelha a orelha por aquele muleque de 16 anos que nunca desistiu. Eu não sei nem por que to escrevendo esse diário, normalmente escreveria uma letra, mas  não to com cabeça, talvez depois eu até transforme isso em música.

As coisas se tornaram banais, normais e a arrogância ta demais mas mesmo assim eu continuo, nós poetas do Rap não podemos parar, a vida é uma loucura e a luta nunca muda. Eu alcancei as minhas metas e até mudei pensamentos das antigas, hoje acredito que posso inspirar aqueles menor que no inicio são desacreditado, mas que no futuro vão ser exaltados como eu fui. Deus nos da o caderno, a caneta e a virtude de sonhar, basta nós escrevermos nossa caminhada. To pensando sozinho aqui, mas ta fluindo, só um desabafo.

7 da madruga, no fone a mesma música

 Racionais, Haikass o freestyle nunca muda,

 mas quer saber conquistei tudo que eu poderia querer 

a minha história nunca posso desmerecer. 

 Os 3F eu levo pra vida, Foco, Força e Fé

Um salve pra Carolina Maria de Jesus lá da favela no Canindé

Hoje to estourado

porque lá de cima fui abençoado

Chorão sempre na memória, na mesma trajetória

os irmãos sempre no coração, é pra eles que eu faço essa dedicatória

(...)

OBS: Além da música do desafio 1 me inspirei em alguns acontecimentos da vida atual do rapper Projota, como a música mencionada no inicio Nossa lei "feat" Xamã lançada hoje (11/09). No final tentei criar o inicio de uma possível música e durante o texto utilizei a linguagem do autor. Pro final deixo esta frase da música "Muleque de Vila" que gosto muito:

"Se o diabo amassa o pão

Você morre ou você come?

Eu não morri e nem comi, eu fiz amizade com a fome"

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

4° e final leitura "Quarto de Despejo"


Nas leituras passadas Carolina já falava sobre o suicídio e o fato dela não querer mais viver com a vida que tinha, mas esses temas ficaram mais constantes nessa ultima leitura do livro. Parece que com o passar das páginas e para a autora, dos dias, sua mente vai se desgastando ainda mais, é como se eu sentisse o cansaço e a insatisfação, com sentido, que Carolina tinha com a vida. A percepção que tenho é que a autora sente que tem um compromisso ou o dever de relatar tudo em seu diário e conseguir visibilidade para o que acontece, desde aquela época, nas comunidades do Brasil, além da obrigação que Carolina tinha com seus filhos.  

"9 de agosto Deixei o leito furiosa. Com vontade de quebrar e destruir tudo. Porque eu tinha só feijão e sal. E amanhã é domingo. 
...Fui na sapataria retirar papeis. Um sapateiro perguntou-me se o meu livro é comunista. Respondi que é realista. Ele disse-me que não é aconselhavel escrever a realidade."

Este trecho não fala especificamente do suicídio, como vários outros do livro, mas nele vemos um pouco da indignação que Carolina tinha por não conseguir dinheiro e por consequência não ter comida, roupas, casa decente, enfim coisas básicas que todos indivíduos tem direito mas que na realidade só alguns tem o privilégio de viver com estas condições.

 

"28 de outubro ... A I. separou-se do esposo e está morando com a Zefa. O esposo dela encontrou ela com o primo. Agora I veio comercializar o seu corpo, na presença do esposo. Penso: a mulher que separa-se do esposo não deve prostituir-se. Deve procurar um emprego. A prostituição é a derrota moral de uma mulher. É como um edifio que desaba. Mas tem mulher que não quer ser só de um homem. Quer ser dos homens. É uma unica dama, dançando quadrilha com varios homens. Sai dos braços de um, vai para os braços de outro. (..)"

Aqui pude ver um pouco da visão de Carolina sobre prostituição e o poder feminino. Percebe-se que naquela época era muito comum que as mulheres se sujeitassem a entrar em uma vida difícil e perturbante que é o meio da prostituição. As mulheres que acabavam recorrendo a este meio eram e muitas vezes ainda são hoje em dia consideradas sujas e impuras. Gostei muito da opinião da autora e concordo com ela que, ao separar-se uma mulher deve procurar um emprego "respeitoso", longe de um meio complicado e perverso. Creio que nos dias atuais o empoderamento feminino já evoluiu muito e as mentes de muitas mulheres já são mais avançadas que antes com relação a estes pensamentos. Com esta visão anterior de Carolina eu concordo, mas já penso divergente quando aparentemente ela fala que é uma escolha ou vontade da mulher levar este tipo de vida, acredito que entre essa escolha exista muitos motivos e razões, talvez falta de oportunidade. Tenho receio em falar e opinar sobre este assunto até porque não tenho nenhuma opinião formada ou conhecimento sobre ele para estar falando, mas este trecho me chamou atenção e estou até agora refletindo e tentando chegar a uma conclusão.

Para uma visão geral do livro: Amei conhecer Carolina, saber suas opiniões, dificuldades, gostos e sua história. Ela escreveu seu diário com o intuito de apresentar o que se passava em uma favela do Brasil na déc de 60, mas acabou contando muito sobre si mesma também, através dos relatos de seus dias. Eu como sou muito curiosa adorei saber e entender os pensamentos e visões de uma mulher que viveu uma vida inteira na miséria e que todos os dias lutava pela vida. Posso dizer que meu objetivo inicial de ter escolhido esta leitura foi concretizado.💙
| Saints | on Behance






 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Desafio 4

 


"Os meninos perguntaram o meu nome e sairam sorrindo para mim. Penso: porque será que os meninos que fogem do Juizado vem difamando a organisação? Percebi que no Juizado as crianças degrada a moral. Os Juizes não tem capacidade para formar o carater das crianças. O que é que lhes falta? Interesse pelos infelizes ou verba do Estado?"
(página 88)

A INSTITUCIONALIZAÇÃO DE CRIANÇAS NO BRASIL

Nesta situação dois meninos estavam fugindo do Juizado de Menor, a notícia espalhou-se pela comunidade e então Carolina ajudou os dois jovens em fuga, oferecendo comida e dando roupas. Ano passado, na disciplina de Português, li o livro Capitães da Areia e nele também é citado o Juizado de Menor que existia naquela época. Nos dois livros esta organização aparece da mesma forma, como um lugar aterrorizante, traumatizador e com péssimas condições de vida. Um pouco antes do ocorrido, dos dois meninos em fuga na comunidade, Carolina estava pensando em colocar seu filho José Calos no Juizado, pois ele estava passando muito tempo nas ruas, chegando tarde em casa, tendo comportamentos que a autora como mãe e mulher que residia na favela temia. Ela tinha medo de seu filho tornar-se um homem ruim e seguisse caminhos errados, além disso as outras pessoas que moravam perto de Carolina, diziam que  tudo que estava acontecendo de mal na região onde ela vivia era culpa de seu filho e a autora não queria todo esse julgamento para ele. Por estes motivos ela acreditava que o melhor seria "internar" seu filho no Juizado, como a mãe de José diz. Então quando aparece aqueles dois jovens fugindo daquela instituição, Carolina percebe que lá as crianças não aprendem nada e são submetidas a violências psicológicas, físicas que causam traumas e tudo isso com a desculpa de reeducar e realocar o jovem na sociedade.

"(...) O senhor Manoel chegou. Deu-me 80 cruzeiros, eu não quiz pegar. Procurei as crianças para tomar banho. Ficaram alegres quando viu o senhor Manoel. Eu disse para o senhor Manoel que ia passar a noite escrevendo. Ele despediu-se e disse:
-Até outro dia!
Nossos olhares se encontraram e eu lhe disse:
-Vê se não volta mais aqui. Eu já estou velha. Não quero homens. Quero só os meus filhos.
Ele saiu. Ele é muito bom e iducado. E bonito. Qualquer mulher há de gostar de ter um homem bonito como ele é. Agradável no falar. 
... O Frei Luiz apareceu e deu aula de catecismo para as crianças. Fizeram uma procissão. Eu não compareci."
(página 101)

    A beautiful collage of Black Icon Nina Simone, artist: Makeba 'KEEBS' Rainey • Ms. Simone was so tough. I used to beat myself up with her but no need now - not struggling against Self-Love. RIP Black Icon                                       
                                                           https://br.pinterest.com/pin/333266441175095528/

Neste trecho Carolina mantém o que diz , que como ela é uma mulher que reside na favela e tem três filhos para cuidar, não pode distrair-se com homens. Acho muito digna esta atitude da autora, sempre coloca-se em segundo plano e da prioridade a seus filhos, muitas vezes até em situações que ela poderia pensar mais nela. Não sei bem o porquê, mas acho que Carolina acredita que não merece, não tem direito ou simplesmente não faz sentido fazer algo em prol de si mesma, por residir no Quarto de Despejo e por já ser uma mulher de idade. Durante a leitura do livro percebo que Carolina admira e apoia os atos de muitas pessoas, mas nunca os seus sendo ela uma grande mulher batalhadora, mãe solteira, moradora de comunidade, vítima da fome e da miséria, mas acima de tudo né uma mulher que ajuda o próximo, sonhadora, que preza pelas crianças e admira a arte em todas as formas de expressar-se.

"8 de agosto Saí de casa as 8 horas. Parei na banca de jornais para ler as noticias principais. A policia ainda não prendeu o Promessinha. O bandido insensato porque a idade não lhe permite conhecer as regras do bom viver. Promessinha é da favela da Vila Prudente. Ele comprova o que eu digo: as favelas não formam carater. A favela é o quarto de despejo. E as autoridades ignoram que tem o quarto de despejo."
(página 107)

::. Blog do Ronaldo Braga.::: O “ ANTIFAS” PREGANDO MORAL DE CUECAS

Neste fragmento do diário de Carolina a parte "Ele comprova o que eu digo: as favelas não formam carater. A favela é o quarto de despejo. E as autoridades ignoram que tem o quarto de despejo.", me chamou atenção. As comunidades são ignoradas e esquecidas pela sociedade e principalmente pelo governo que tem o dever de extinguir este modo de vida precário, um dever que não é cumprido. Quando digo em acabar com as favelas não me refiro ao que Carolina cita em seu diário e que de fato ocorreu, que foi a ideia de acabar com a favela do Canindé e construir uma via no mesmo lugar onde pessoas que já sofriam uma exclusão da sociedade, vivendo na miséria, foram afetadas ainda mais com a perda de seus lares, deixando milhares de pessoas desabrigadas, com fome e sem nenhum lugar, pessoa ou qualquer suporte do governo para recorrer e receber ajuda para recomeçar a vida. Esse pode até ter sido um dos grandes causadores de outro gravíssimo problema social que é o número de moradores de rua. Muitas pessoas falam que a favela é um lugar sujo, propenso ao crime e diversas outras coisas horríveis, muitos desses indivíduos não param para pensar e perceber que as comunidades, que só crescem em nosso país, são uma consequência da nossa sociedade, que excluí pessoas de classe baixa, negras, que dá oportunidades e privilégios somente para aqueles que possuem poder aquisitivo. Ai vem a pergunta "isso está certo?" e a resposta é NÃO! O sistema em que vivemos hoje é completamente egoísta, preconceituoso e individualista, não importa a quantidade de dinheiro e bens que possuímos ou qualquer característica todos somos iguais e merecemos viver nas mesmas condições de vida. 




Objeto Cultural

 



O Objeto Cultural desta semana é muito especial para mim. "Desculpe pelo transtorno- a história do bar do Chico" é um documentário que conta a memória do bar do Seo Chico e como ele foi importante e significativo no processo de luta contra a  verticalização, prevista pelo IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, no campeche. 
Seu Chico era nativo da ilha de Florianópolis e pescador do Campeche, por sua família ser muito grande e ele apenas receber 100 reais por mês, decidiu transformar o barraco de pesca em um bar que ficou tão famoso no Campeche e que acabou tornando-se uma lugar de socialização. 


O bar do Chico não é um simples bar, é muito mais que isso, representa a luta da comunidade do Campeche, mas ai você me pergunta, "Por que esse bar é tão especial? Bom, tudo começou quando o IPUF criou um plano diretor para o Campeche, o projeto baseava-se em construir diversas avenidas, megaprojetos e previa  450 mil pessoas residindo neste bairro, na época a população de Florianópolis era equivalente a 280 mil pessoas, ou seja, o plano diretor criado por esse órgão pretendia colocar praticamente o dobro de habitantes de Floripa em um único bairro. Apesar de possuir recursos, como o lençol freático, que é um dos mais preservados da ilha, eles são limitados o lençol freático do Campeche, naquela época, abastecia 147 mil pessoas e o IPUF previa 450 mil habitantes. Foi quando a comunidade questionou e a resposta do órgão foi dessalinizar o mar, ao ouvir aquilo os moradores da região não se calaram e lutaram para aquilo não acontecer. As futuras construções das avenidas iriam prejudicar muito o bairro, mas uma em específico era mais temida pela comunidade. Esta via iria ficar encima da dunas e passaria justo no local onde o bar do Chico encontrava-se.
Este plano diretor absurdo fez a comunidade do Campeche mobilizar-se, com muitos esforços, reuniões, buscas atrás de documentos, entre tantas outras coisas, os moradores criaram seu próprio plano diretor, afinal eles não queriam impedir a evolução do Campeche, queriam proteger seu bairro de um projeto que promovia a verticalização da região. Por isso o projeto da comunidade previa a evolução do bairro, muito mais do que isso, preservava a cultura do Campeche e respeitava todos os moradores nativos. Todos sabem que onde existe avenidas tem prédios, vias previstas para serem construídas na beira do mar, apartamentos luxuosos tomariam o bar do Seo Chico. Este plano diretor visava um processo de verticalização com prédios, avenidas, tudo que o Campeche não tinha capacidade de manter.
Na luta contra este processo de verticalização o Bar do Chico foi um lugar fundamental, lá eram feitas reuniões, formava-se a resistência do Campeche, era um espaço de debates, confraternizações, um espaço cultural. 

  Seo Chico
                https://vimeo.com/120955134                                                        https://vimeo.com/120955134

Isso que eu contei é só o começo da história, a comunidade do Campeche já lutou por muita coisa. Tenho orgulho em dizer que vivo desde pequena em um bairro repleto de cultura.
Vale muito apena assistir a esse documentário e conhecer um pouco mais da ilha onde vivemos.
Campeche é resistênncia!
Link do documentário, Desculpe pelo transtorno- A história do bar do Chico: https://vimeo.com/122853456


 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

3° leitura "Quarto de Despejo"



 Nesta terceira leitura confesso não estar muito animada. Parece que tudo se repete e por conta disso não consigo ter novas reflexões ou relações entre a minha vida e a de Carolina. Entendo que o "Quarto de Despejo" é um diário e este formato de escrita é a descrição da nossa rotina, dos sentimentos que sentimos nesse determinado dia, mas parece que a vida da autora nunca muda é sempre o mesmo ciclo. Acordar de manhã, sentir a angústia de não ter comida na mesa, passar o dia todo catando papel e não ganhar quase nada de dinheiro, chegar em casa ou não já que segundo ela, o barraco onde ela reside na comunidade não é casa e ter que ficar sendo tratada ou escutando coisas ditas com a maior arrogância para Carolina e seus filhos. Sempre quando ela recebe alguma quantia de dinheiro a mais fico feliz, pois penso, "agora Carolina conseguirá mudar de vida", mas não, geralmente aquela quantia só cobre um par de sapatos ou uma refeição adequada, nada que realmente irá ajudar a autora e seus filhos a mudarem de vida.
Na página 60 no dia 13 de junho Carolina vê uma menina comendo algo do lixo, já conversando com a jovem ela diz querer ter um trabalho digno e que ela consiga ter condições para vestir-se bem. A autora pensa que aquela menina com os seus 15 anos ainda é muito ingênua, acha que o mundo é perfeito, mas não é bem assim. Fiquei pensando em como aquela menina terá que crescer mais rápido que eu, provavelmente ela terá que começar a trabalhar cedo, não terá boas condições de estudo, não irá ter os mesmos privilégios que eu, assim como muitas jovens do Brasil. 

Objeto Cultural

                     

  Veja frases de músicas do Charlie Brown Jr, como Céu Azul e Pontes Indestrutíveis, para te inspirar e usar de legenda nas suas fotos.

https://br.pinterest.com/pin/384987468151158369/

ATENÇÃO: De preferência conhecer a música antes de ler o conteúdo a seguir.

Link audiovisual Céu Azul: https://www.youtube.com/watch?v=0dLX40UMUKo

Link letra Céu azul: https://www.letras.mus.br/charlie-brown-jr/1853785/


Estes dias estava escutando a música "Céu Azul", da banda Charlie Brown Jr. Já escuto as canções desse grupo a bastante tempo mas parece que um trecho de "Céu Azul" me tocou muito na ultima vez que ouvi a música. O verso é:

 Céu Azul - Charlie Brown Jr.

https://br.pinterest.com/pin/463026405410904320/

Me chamou bastante atenção pois relacionei muito com o nosso momento atual. Ficar trancado em casa, a distância das pessoas que amamos, a saudade dos dias normais, consequências da pandemia da Covid-19. O verso da música fala que devemos viver, mas ai eu me questiono, viver como? Para mim viver de verdade é comunicar-se, dar risada, abraçar-se, é ir na praia entrar no mar, sentir a água gelada e mesmo assim dar um mergulho, porque aquilo me faz bem! Para mim sentir-se vivo é fazer aquilo que te faz bem, é cuidar de quem você ama, mas como fazer tudo isso nessa quarentena? Na minha visão isso que estamos tendo que fazer, vivendo 24 horas entre paredes, não é viver de verdade, nós apenas estamos existindo e aguardando o recomeço dos dias normais. Estamos vivendo nossos dias de luta para alcançarmos os dias de glória.

Charlie Brown Jr. - Música Popular Caiçara (2012) 

https://br.pinterest.com/pin/298363544063779316/

Vale muito a pena conhecer a banda!



Objeto Cultural

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