segunda-feira, 31 de agosto de 2020

4° e final leitura "Quarto de Despejo"


Nas leituras passadas Carolina já falava sobre o suicídio e o fato dela não querer mais viver com a vida que tinha, mas esses temas ficaram mais constantes nessa ultima leitura do livro. Parece que com o passar das páginas e para a autora, dos dias, sua mente vai se desgastando ainda mais, é como se eu sentisse o cansaço e a insatisfação, com sentido, que Carolina tinha com a vida. A percepção que tenho é que a autora sente que tem um compromisso ou o dever de relatar tudo em seu diário e conseguir visibilidade para o que acontece, desde aquela época, nas comunidades do Brasil, além da obrigação que Carolina tinha com seus filhos.  

"9 de agosto Deixei o leito furiosa. Com vontade de quebrar e destruir tudo. Porque eu tinha só feijão e sal. E amanhã é domingo. 
...Fui na sapataria retirar papeis. Um sapateiro perguntou-me se o meu livro é comunista. Respondi que é realista. Ele disse-me que não é aconselhavel escrever a realidade."

Este trecho não fala especificamente do suicídio, como vários outros do livro, mas nele vemos um pouco da indignação que Carolina tinha por não conseguir dinheiro e por consequência não ter comida, roupas, casa decente, enfim coisas básicas que todos indivíduos tem direito mas que na realidade só alguns tem o privilégio de viver com estas condições.

 

"28 de outubro ... A I. separou-se do esposo e está morando com a Zefa. O esposo dela encontrou ela com o primo. Agora I veio comercializar o seu corpo, na presença do esposo. Penso: a mulher que separa-se do esposo não deve prostituir-se. Deve procurar um emprego. A prostituição é a derrota moral de uma mulher. É como um edifio que desaba. Mas tem mulher que não quer ser só de um homem. Quer ser dos homens. É uma unica dama, dançando quadrilha com varios homens. Sai dos braços de um, vai para os braços de outro. (..)"

Aqui pude ver um pouco da visão de Carolina sobre prostituição e o poder feminino. Percebe-se que naquela época era muito comum que as mulheres se sujeitassem a entrar em uma vida difícil e perturbante que é o meio da prostituição. As mulheres que acabavam recorrendo a este meio eram e muitas vezes ainda são hoje em dia consideradas sujas e impuras. Gostei muito da opinião da autora e concordo com ela que, ao separar-se uma mulher deve procurar um emprego "respeitoso", longe de um meio complicado e perverso. Creio que nos dias atuais o empoderamento feminino já evoluiu muito e as mentes de muitas mulheres já são mais avançadas que antes com relação a estes pensamentos. Com esta visão anterior de Carolina eu concordo, mas já penso divergente quando aparentemente ela fala que é uma escolha ou vontade da mulher levar este tipo de vida, acredito que entre essa escolha exista muitos motivos e razões, talvez falta de oportunidade. Tenho receio em falar e opinar sobre este assunto até porque não tenho nenhuma opinião formada ou conhecimento sobre ele para estar falando, mas este trecho me chamou atenção e estou até agora refletindo e tentando chegar a uma conclusão.

Para uma visão geral do livro: Amei conhecer Carolina, saber suas opiniões, dificuldades, gostos e sua história. Ela escreveu seu diário com o intuito de apresentar o que se passava em uma favela do Brasil na déc de 60, mas acabou contando muito sobre si mesma também, através dos relatos de seus dias. Eu como sou muito curiosa adorei saber e entender os pensamentos e visões de uma mulher que viveu uma vida inteira na miséria e que todos os dias lutava pela vida. Posso dizer que meu objetivo inicial de ter escolhido esta leitura foi concretizado.💙
| Saints | on Behance






 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Objeto Cultural

  https://rapdubomdownload.blogspot.com/2020/09/pineapple-stormtv-cesar-mc-eu-sou.html ATENÇÃO: De preferência conhecer a música antes de le...