Motivo da escolha deste livro- Talvez o motivo pelo qual eu escolhi esse livro seja um pouco clichê, mas não deixa de ser real. Sou uma pessoa muito curiosa e quando soube do que o livro se tratava logo quis saber como Carolina vivia e achava da vida que levava. O outro motivo foi querer ler sobre uma realidade diferente da minha, pois assim acredito que eu possa sempre melhorar minha forma de compreender o próximo e enxergar o mundo.
Essa imagem mostra como mesmo distantes nós indivíduos dessa sociedade injusta, de alguma forma estamos ligados. Nós de algum modo sempre interferimos e afetamos a vida do próximo, por isso entende-lo sempre será mais favorável para transformar a nossa sociedade em um meio melhor para conviver.
Nestas primeiras páginas que li percebi que Carolina vive uma vida muito difícil e sofrida na comunidade onde mora, como já havia imaginado antes de iniciar a minha leitura. Ela mostra o quão arrogante são as pessoas que residem ao seu redor, diz que as pessoas de lá são fofoqueiras e invejosas. Carolina não tem marido mas as outras mulheres tem e ficam falando que ela deveria ter também. A autora fala que as pessoas que vivem nas comunidades (favelados como ela menciona), são muito aborrecidas e por isso acabam sendo vulneráveis a entrar e/ou aceitar problemas maiores como o alcoolismo, pois muitos passam fome e por conta do vício quando arranjam algum dinheiro compram bebida. Outro problema são os relacionamentos abusivos, onde muitas mulheres tinham que ir para a igreja com seus filhos pedir comida ou se desdobrar para de alguma forma ter dinheiro suficiente para levar a vida, enquanto seus maridos além de não ajudar neste quesito ainda espancam suas esposas. Um outro exemplo de relação abusiva que Carolina conta, é o caso onde o filho espancava o pai de uma forma tão sádica, como se adorasse fazer aquilo.
Achei muito interessante uma comparação que a autora faz, entre uma casa residivel e a cidade de São Paulo. Ela diz que o palácio (que é onde os políticos ficavam) é a sala de visita, a prefeitura a sala de jantar, a cidade o jardim e a favela o quintal onde jogam o lixo. Essa comparação me fez pensar em quem decide isso, quem decide quem fica na sala de visita, na sala de jantar, no jardim e no quarto de despejo. Cheguei a conclusão que são os políticos que por ganancia e egoísmo buscam somente o poder e o dinheiro e não favorecer o povo, porém não são somente estes que ditam esta desigualdade, as pessoas que consentem com este tipo de governo ou as que simplesmente não ligam colaboram para que isso se propaga, desta forma estas pessoas se fecham para entender as dificuldades do próximo e vivem no mundo, na bolha delas, com o conforto de viver no jardim ou na sala de jantar.
Neste início de livro Carolina vai contando um pouco de como as comunidades são tratadas pelas pessoas que não residem neste lugar, ela conta duas situações que me chamaram atenção. A primeira foi quando comerciantes, que em busca de mais dinheiro, aumentaram o preço dos alimentos e por isso as vendas diminuíram, então a comida estragou e só assim para estes vendedores "doarem" alimentos para a comunidade onde Carolina morava, onde a fome era muito presente. Ela conta que quando abriu a lata de alimento e estava cheio de bolor, a comida estava estragada e ela via aquelas crianças saciando sua fome e nem se dando conta do sabor e do que aquilo lhes causaria. Isso me assustou pois me mostrou que a ignorância das pessoas vai muito mais além do que nós imaginamos. A segunda situação foi quando em um dia de trabalho, onde Carolina estava catando papel pelas ruas normalmente, deixou na calçada os sacos carregados de papel que ela teria passado o dia inteiro catando para ter o mínimo de comida em sua mesa. Ela deixou os sacos ali por um tempo curto e quando voltou eles estavam em chamas, então vem a mente de Carolina "quem faria um coisa dessas?". Ela perguntou a mulher que morava bem ali e que parecia estar de olho em tudo, perguntou se a senhora não tinha visto quem fez, a mulher respondeu que não viu, mas a autora que é uma mulher de muitas experiências e que reconhece uma situação dessa sabia que era aquela mulher que teria colocado fogo na única fonte de sustendo dela. Isso me leva a pensar que por causa de alguns minutos aquela mulher jogou fora todo o esforço de Carolina. Me magoa saber que ainda nos dias de hoje existem muitas pessoas que se acham superiores a outras só pela classe social ou cor da pele.
Em 1955 Carolina para de escrever e só volta em 1958, ela volta contando que está cansada desta vida que ela levava, diz que não sentia mais animação para nada, estava com vontade de morrer pois sua vida era muito sofrida, ela dizia: "Se os pobres são mal colocados, pra que viver?"
Ela conta que todos os políticos só vão ao quarto de despejo em época de eleição, onde eles prometem acabar com as comunidades, mas é só para conseguir voto, pois depois de eleitos, na prática não fazem nada pelas pessoas que residem e passam dificuldades na comunidade. Por este motivo Carolina fala que quem tem que estar no poder, na política brasileira deve ser alguém que já passou fome, "A fome também é professora" gosto muito desta frase. Concordo com a autora que quem deve estar no poder deve ser alguém que reconhece a pobreza, o preconceito entre tanto outros problemas que se tornaram "aceitáveis" e comuns no nosso país, e que queira cessar com tudo isso.