sexta-feira, 31 de julho de 2020

2° leitura "Quarto de Despejo"



Até agora li pouco do livro mas já posso afirmar que admiro Carolina. Fico assustada com os relatos que ela escreve em seu diário, homens que batem em suas esposas e não são nada presentes, os famosos relacionamentos abusivos. Gosto muito da mulher que a autora é, trabalhadora, empoderada, conta que se fosse casada só iria ter mais problemas, afinal a sua meta de vida não era viver que nem aquelas mulheres que residiam ali naquela comunidade. A mulher persistente e sonhadora que estou conhecendo aos poucos durante minha leitura tem uma meta, residir fora da comunidade, em uma casa de verdade, com comida na mesa, sem acordar preocupada. Muitos homens fazem convites a Carolina mas ela não aceita ,já que não quer despender deles para viver, mas mais que isso, homens não gostam de mulheres que apreciam a escrita e a leitura. diz a autora.


Uma coisa que me fascina muito no jeito de Carolina é como ela sempre tenta enxergar o lado bom das coisas, mesmo quando a vida não facilita nada e isso pois eu me considero uma pessoa muito pessimista, sempre vendo o lado ruim das coisas. Isso me leva a uma reflexão, eu que com certeza vivo com condições bem melhores que a autora só vejo o lado ruim das coisas e ela que passou a vida toda por dificuldades é super positiva ao meu ver. Refleti, não sei ao certo se cheguei a uma conclusão, mas acredito que isso ocorre pois Carolina conhece o verdadeiro lado ruim da vida e tudo que ela quer é fugir daquele mundo que vive e presenciar a realidade alternativa de seus sonhos. 
Suas principais características sinceridade e a pureza em seu jeito de ser, Carolina é determinada, verdadeira não deixa ser oprimida por ninguém. Em seu cotidiano na comunidade ela é submetida a situações desagradáveis, diz que os adultos tem maldade no olhar, sentem inveja, ódio e são egoístas, por isso com pessoas de maior idade ela não mede palavras. Já com crianças é diferente, Carolina tem apreço pelas por elas, fala que só estas tem bondade no coração e são ingenuas demais para serem más. As pessoas de menor idade são sagradas, por este motivo ela só dirige as melhores palavras para elas.
Me partiu o coração quando soube que a autora acordava todos os dias angustiada, preocupada com medo de não achar papel suficiente para comprar comida. Relacionei isto com a minha vida. Eu nunca acordei pensando se eu iria ter comida na mesa, acordo e penso "quais das opções da minha geladeira eu vou escolher?". Isso cria uma grande diferença entre eu e Carolina que não deveria existir. Saber disso me faz sentir mal, mas não porque sinto culpa de ter comida em todas as refeições do meu dia. A desigualdade não é culpa minha, porém no mesmo momento em que eu reclamo da minha vida eu estou sendo injusta com as pessoas que assim como Carolina até hoje vivem na miséria e no sofrimento, enquanto para mim não falta nada. 

Objeto Cultural




ATENÇÃO: De preferência conhecer a música antes de ler o texto a seguir.

O Objeto Cultural desta semana é uma música que gosto muito. Canção Infantil escrita e cantada pelo incrível Cesar MC, conhecido pelas suas rimas polêmicas, lançou essa canção em 27 de julho de 2019. Logo em seu lançamento, a letra já me encantou muito, principalmente as comparações feitas entre os contos infantis que minha geração cresceu ouvindo e a realidade do nosso país.
 Cesar inicia a música fazendo referência a uma canção infantil muito conhecida, "Era uma casa muito engraçada", onde ele descreve uma casa com ótimas condições, mas que mesmo com todos aqueles bens materiais e superficiais, não existia afeto, sentimento ali. Logo no próximo verso é apresentada a realidade da maior parte da população brasileira, uma casa fora do padrão que nem sempre pode viver na melhor condição, mas que sabe o valor das pequenas coisas, como um encontro em um domingo com churrasco e o time do coração passando na TV, ou até a água pro feijão. Saber viver é ter gratidão pela vida, é aprecia-la. Com o passar dos versos o MC relaciona as pessoas com o conto "A Bela e a Fera" dizendo que algumas são bondosas como a Bela e outras  assustadoras como a Fera, nós temos características ou até comportamentos semelhantes a personagens que na infância conhecemos, vai do próprio indivíduo decidir que personagem ele irá se tornar, "Princesas, Pinóquios, mocinhos..."


Polícia e ladrão uma brincadeira que eu brinquei e me diverti muito quando mais nova, mal sabia eu que ela era muito real, mais que isso, comum. Cesar fala "Eu brincava de polícia e ladrão um tempo atrás, Hoje ninguém mais brinca, Ficou realista demais..."Realmente, ficou realista demais, mas não pra mim e sim para o Cesar e todas as pessoas afrodescendentes, que muito provavelmente se não ouviram ainda vão escutar sua mãe falando, com o coração apertado "filho, não corre na rua", e o menino se questiona porquê? Quando maior ele irá saber que o comum é a polícia confundir bandido com negro.  


"As balas ficaram reais, perfurando a Eternit
Brincar nós ainda quer, mas o  sangue melou o pique
O final do conto é triste quando o mal não vai embora
O bicho papão existe, não ouse brincar lá fora, pois
Cinco meninos foram passear
Sem droga, flagrante, desgraça nenhuma
A polícia engatilhou: Pá, pá, pá, pá
Mas nenhum, nenhum deles voltaram de lá
Foram mais de cem disparos nesse conto sem moral
Já nem sei se era mito essa história de lobo mau" 

Já no final da música o MC coloca, "O inicio já é o fim da trilha, Até a Alice percebeu que não era uma maravilha". Isso diz muito sobre o nosso processo de crescimento, sobre o nosso caráter. Quando crianças somos levados a acreditar em um mundo perfeito e é isso que fazemos, idealizamos esse universo que não existe. Crescer nos faz ter um choque, aquela visão ingenua da sociedade se perde. A fome, miséria, o preconceito, ódio, a falta de empatia, alguns dos grandes problemas da nossa sociedade, colocam aquele jovem á caminho da fase adulta contra a parede, depende dele consentir, colaborar ou acabar com o "carrossel de horrores" que o nosso mundo é. 


Deixo aqui a minha reflexão sobre essa música sensacional, reflita um pouco você agora sobre a letra dela.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Objeto Cultural

 



 A série "Expresso do amanhã" se passa sete anos após o congelamento da Terra , um trem sempre esta em constante movimento levando sobreviventes do que seria o fim do mundo. Essa espécie de arca leva pessoas de diversos lugares do planeta e classes sociais, muito diferente de seu planejamento onde somente pessoas com um grande poder aquisitivo teriam a oportunidade de se salvar do congelamento, já que a passagem para entrar a bordo do Snowpiercer é extremamente cara.
Quando comecei a assisti-la logo pensei "e se isso realmente acontecesse?". Agora o mundo enfrenta uma pandemia, ficar em casa, se isolar, usar máscara, coisas que nunca passaram pela minha cabeça mas que são reais, em meio a isso que estamos vivendo nada mais me surpreende.
O Snowpiercer assim como a nossa sociedade é dividido em classes, existe o fundo que são as pessoas que  entraram a força no trem, pois lutavam pela vida e não possuíam dinheiro para pagar pela entrada, que como já havia comentado era muitíssimo cara. As pessoas que residem no fundo levam uma vida muito parecida com as pessoas que passam dificuldades, que vivem na miséria no nosso mundo atual. Os cidadãos que fazem parte do fundo e da terceira classe são as responsáveis pelo funcionamento da arca, sempre em péssimas condições, mas nunca se esquecendo da consequência de infringir uma lei do trem, o medo das gavetas circula entre os vagões. Na segunda classe se encontram os indivíduos que exercem papeis de muito valor e por isso recebem diversos privilégios, na minha visão estas pessoas na nossa real sociedade são representadas pelos políticos. Por último a primeira classe bom, nela estão as pessoas que antes do congelamento já tinham grandes valores aquisitivos e que por isso levavam uma vida fácil, privilegiada, egoísta e gananciosa, como acontece na realidade. No trem não é diferente, as pessoas que residem na primeira classe não trabalham, não ajudam no funcionamento do trem e recebem as melhores condições de vida, enquanto outros passam fome.
 

Gostei muito dessa série, ela me fez refletir sobre o mundo que  vivo e  mostrou que mesmo com o fim da vida na terra as pessoas iriam continuar sendo egoístas e dando valor somente pro  que é de si próprias, não se importando com o outro. Esse seriado representa a luta de classes no trem e na nossa realidade. Agora espero ansiosa pelo retorno da série na Netflix, com a segunda temporada.  



   
Disponível em: Netflix 



















Desafio 2

                                                                         




 



  Nesta imagem vemos que quando a moça abre o livro   diversas coisas saem dele, deste objeto sagrado. Carolina   acreditava nisso, que aquele conteúdo marcado no papel   nos  possibilita ter acesso ao conhecimento, ao aprender,   uma pessoa que lê e absorve o que os livros nos oferecem é   inteligente, com personalidade, opinião, sapiência, é um   indivíduo com saber de diversas visões e realidades de   mundos. A autora dizia "Não sei dormir sem ler. Gosto de     manusear um livro. O livro é a melhor invenção do homem.












"...Eu classifico São Paulo assim: O Palácio, é a sala de visitas. A Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela o quintal onde jogam os lixos." A foto ao mostra o quanto esta frase é real e como se aplica tanto na atual realidade. Os anos passam, a desigualdade evolui e o abismo entre as classes sociais só cresce.  











"Duro é o pão que nós comemos. Dura é a cama que dormimos. Dura é a vida do favelado" Carolina cita essa frase e faz a comparação apresentada na foto ao lado. Essa relação que a autora faz entre a comunidade e o quarto de despejo, que em seu diário viram quase sinônimos, representa que nas favelas como ela diz, sempre vão estar os piores fatores da sociedade, principalmente a miséria. Neste cansadas de sofrer para viver e o desespero de não saber como será o dia de amanhã.











Esta arte que é tão representativa e realista, me lembrou quando Carolina fala "Levantei nervosa.Com vontade de morrer. Já que os pobres estão mal colocados, para que viver? Será que os pobres de outro País sofrem igual aos pobres do Brasil? Eu estava discontente que até cheguei a brigar com o meu filho José Carlos sem motivo." Esse trecho mostra como a autora estava cansada da vida que levava, insegura de não conseguir dinheiro após um dia inteiro de trabalho e por consequência de não ter o que comer, de residir em uma comunidade, ela queria realizar seu sonho de ter uma casa "residivel". Carolina estava farta da desigualdade do mundo, mas ela sabia que tinha responsabilidades mas importantes que seus pensamentos, a riqueza dessa mulher batalhadora era seus filhos. 





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quinta-feira, 23 de julho de 2020

Desafio 1




Muleque de vila- Projota


Eu falei que era uma questão de tempo
E tudo ia mudar, e eu lutei
Vários me disseram que eu nunca ia chegar, duvidei
Lembra da ladeira, meu?
Toda Sexta-feira meu melhor amigo é Deus e o segundo melhor sou eu

Eu tanto quis, tanto fiz, tanto fui feliz
Eu canto Xis, canto Péricles, canto Elis
Torcedor do Santos, desse pão e sei que eu também quis
Não sei feliz, mas geral merece não ser infeliz

Prosperei com o suor do meu trabalho
Me guardei, lutei sem buscar atalho
E sem pisar em ninguém
Sem roubar também, então sei
Que hoje o meu nome é F*** e meu sobrenome é Pra C***** 
Compositores: Jose Tiago Sabino Pereira / Pedro Luiz Garcia Caropreso
"Muleque de vila" uma música que desde 2016 toca e inspira as pessoas. Ao longo das estrofes Projota conta suas experiências de vida, as dificuldades que precisou enfrentar para alcançar um patamar tão alto no mundo do Rap nacional. É incrível como em suas composições o cantor sempre enfatiza sua essência periférica,  isso faz com que as outras milhares de pessoas que vivem o que o cantor viveu identificam-se e se inspiram, mas além disso transparece a paixão pelo Rap, porque se não fosse isso e o público gritando, como ele diz, talvez  o Projota de hoje não existisse pois teria se rendido as críticas, ao preconceito e as dificuldades. As conquistas do cantor são muito bem apresentadas na letra da canção, a mudança de realidades que aconteceu depois da fama, ele que era um menino tão simples agora é reconhecido nacionalmente. Com esse jeito tão humilde enaltece as figuras que foram tão importantes em sua carreira e que além disso ele tem como inspirações.

domingo, 19 de julho de 2020

1°leitura "Quarto de Despejo"



Motivo da escolha deste livro- Talvez o motivo pelo qual eu escolhi esse livro seja um pouco clichê, mas não deixa de ser real. Sou uma pessoa muito curiosa e quando soube do que o livro se tratava logo quis saber como Carolina vivia e achava da vida que levava. O outro motivo foi querer ler sobre uma realidade diferente da minha, pois assim acredito que eu possa sempre melhorar minha forma de compreender o próximo e enxergar o mundo. 
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Essa imagem mostra como mesmo distantes nós indivíduos dessa sociedade injusta, de alguma forma estamos ligados. Nós de algum modo sempre interferimos e afetamos a vida do próximo, por isso entende-lo sempre será mais favorável para transformar a nossa sociedade em um meio melhor para conviver.













Nestas primeiras páginas que li percebi que Carolina vive uma vida muito difícil e sofrida na comunidade onde mora, como já havia imaginado antes de iniciar a minha leitura. Ela mostra  o quão arrogante são as pessoas que residem ao seu redor, diz que as pessoas de lá são fofoqueiras e invejosas. Carolina não tem marido mas as outras mulheres tem e ficam falando que ela deveria ter também. A autora fala que as pessoas que vivem nas comunidades (favelados como ela menciona), são muito aborrecidas e por isso acabam sendo vulneráveis a entrar e/ou aceitar problemas maiores como o alcoolismo, pois muitos passam fome e por conta do vício quando arranjam algum dinheiro compram bebida. Outro problema são os relacionamentos abusivos, onde muitas mulheres tinham que ir para a igreja com seus filhos pedir comida ou se desdobrar para de alguma forma ter dinheiro suficiente para levar a vida, enquanto seus maridos além de não ajudar neste quesito ainda espancam suas esposas. Um outro exemplo de relação abusiva que Carolina conta, é o caso onde o filho espancava o pai de uma forma tão sádica, como se adorasse fazer aquilo. 
Achei muito interessante uma comparação que a autora faz, entre uma casa residivel e a cidade de São Paulo. Ela diz que o palácio (que é onde os políticos ficavam) é a sala de visita, a prefeitura a sala de jantar, a cidade o jardim e a favela o quintal onde jogam o lixo. Essa comparação me fez pensar em quem decide isso, quem decide quem fica na sala de visita, na sala de jantar, no jardim e no quarto de despejo. Cheguei a conclusão que são os políticos que por ganancia e egoísmo buscam somente o poder e o dinheiro e não favorecer o povo, porém não são somente estes que ditam esta desigualdade, as pessoas que consentem com este tipo de governo ou as que simplesmente não ligam colaboram para que isso se propaga, desta forma estas pessoas se fecham para entender as dificuldades do próximo e vivem no mundo, na bolha delas, com o conforto de viver no jardim ou na sala de jantar.
Neste início de livro Carolina vai contando um pouco de como as comunidades são tratadas pelas pessoas que não residem neste lugar, ela conta duas situações que me chamaram atenção.  A primeira foi quando comerciantes, que em busca de mais dinheiro, aumentaram o preço dos alimentos e por isso as vendas diminuíram, então a comida estragou e só assim para estes vendedores "doarem" alimentos para a comunidade onde Carolina morava, onde a fome era muito presente. Ela conta que quando abriu a lata de alimento e estava cheio de bolor, a comida estava estragada e ela via aquelas crianças saciando sua fome e nem se dando conta do sabor e do que aquilo lhes causaria. Isso me assustou pois me mostrou que a ignorância das pessoas vai muito mais além do que nós imaginamos. A segunda situação foi quando em um dia de trabalho, onde Carolina estava catando papel pelas ruas normalmente, deixou na calçada os sacos carregados de papel que ela teria passado o dia inteiro catando para ter o mínimo de comida em sua mesa. Ela deixou os sacos ali por um tempo curto e quando voltou eles estavam em chamas, então vem a mente de Carolina "quem faria um coisa dessas?". Ela perguntou a mulher que morava bem ali e que parecia estar de olho em tudo, perguntou se a senhora não tinha visto quem fez, a mulher respondeu que não viu, mas a autora que é uma mulher de muitas experiências e que reconhece uma situação dessa sabia que era aquela mulher que teria colocado fogo na única fonte de sustendo dela. Isso me leva a pensar que por causa de alguns minutos aquela mulher jogou fora todo o esforço de Carolina. Me magoa saber que ainda nos dias de hoje existem muitas pessoas que se acham superiores a outras só pela classe social ou cor da pele. 
Em 1955 Carolina para de escrever e só volta em 1958, ela volta contando que está cansada desta vida que ela levava, diz que não sentia mais animação para nada, estava com vontade de morrer pois sua vida era muito sofrida, ela dizia: "Se os pobres são mal colocados, pra que viver?"
Ela conta que todos os políticos só vão ao quarto de despejo em época de eleição, onde eles prometem acabar com as comunidades, mas é só para conseguir voto, pois depois de eleitos, na prática não fazem nada pelas pessoas que residem e passam dificuldades na comunidade. Por este motivo Carolina fala que quem tem que estar no poder, na política brasileira deve ser alguém que já passou fome, "A fome também é professora" gosto muito desta frase. Concordo com a autora que quem deve estar no poder deve ser alguém que reconhece a pobreza, o preconceito entre tanto outros problemas que se tornaram "aceitáveis" e comuns no nosso país, e que queira cessar com tudo isso. 

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Ainda serie uma menina vivida

O ano era 2005, finalmente meus pais iriam realizar o sonho deles. A vida teria entregado dois dias atrasado o presente de aniversário de meu pai, mas segundo ele o meu nascimento no dia 11 de abril foi a melhor coisa que já aconteceu com ele. Bom, meu nome é Marina e não sei se até o meus atual 15 anos vivi muito para lhes contar, mas prometo tentar. Se tem uma coisa em que eu acredito é em sintonia, segundo o dicionário esta palavra significa “Harmonia; modo semelhante de pensar, de sentir; em que há acordo, equilíbrio ou concordância”, e isso era exatamente o que os meus pais tinham naquela época. A conexão era muito presente, parecia que tudo se encaixava, até meu nome, digo isso pois minha mãe sempre pensou em colocar meu nome de Marina e quando meu pai soube o lindo significado que meu este tinha, ele se encantou. Marina significa “a que vem do mar” ou “deusa do mar”, isso era o que o meu pai sentia, ele que é nativo da ilha e que desde pequeno surfa e tem o oceano como sua casa, agora passaria essa energia e relação incrível com esta imensidão azul para mim.
Até os meus 6 anos a vida parecia perfeita, eu ainda não conhecia o mundo como ele é, para mim o mundo era que nem eu com aquela idade, ingênuo. Em 2011 isso mudou rapidamente, a separação dos meus pais teria causado isso, eu teria que crescer psicologicamente e internamente para entender o que estava acontecendo no momento, foi quando eu percebi, o mundo que eu conhecia não existe, a vida não era tão simples quanto eu achava que era. A partir do dia que eu saí da minha casa para morar com a minha vó tudo começou, as brigas que antes eram imperceptíveis para mim, agora teriam virado rotina. A vida se transformou em um vai e vem sempre indo de uma casa para outra. Enquanto estava com a minha mãe ela dizia que eu meu pai era irresponsável, que priorizava as outras pessoas e esse teria sido o motivo da separação. Tenho muito orgulho de meu pai pelos seus feitos e pela pessoa que ele é, mas confesso que hoje percebo que muitas vezes ele deixava a própria família de lado. Quando estava com ele, dizia que minha mãe era mentirosa e só falava bobagens. Com os dois sempre brigando entre si e colocando imagens na minha cabeça que me deixavam confusa, pois não correspondia com aquilo que eu conhecia, as únicas pessoas que me acalmavam eram meus avós e minha madrinha. 
Quando eu finalmente estava superando e entendo o término dos meus pais, outra notícia chega para me abalar. Minha vó por parte de pai teria falecido, a sensação era de um vazio no coração e eu sei que esse vazio nunca irá se preencher, pois as pessoas que a gente tem uma conexão, que marcam nossas vidas não são substituídas tão fácil assim. O que aquece meu coração são as lembranças da gente dançando na sala como se só existe nós no mundo. Me conforta saber que toda vez que eu olhar o céu escuro da noite ela estará lá, em forma de estrela iluminando minha vida.
2012 o ano que todos diziam que o mundo ia acabar, mas para mim a sensação era de que um novo ciclo estava se iniciando. Era meu primeiro dia de aula no Colégio de Aplicação, o frio na barriga e o nervosismo me consumiam, mas não era por conta do ambiente escolar afinal eu já tinha feito o ano pré escola no IEE (Instituto Estadual de Educação) e portanto estava acostumada, sentia aquilo por não conhecer aquelas pessoas e não saber o que elas iriam achar de mim. Quando eu entrei na sala de aula tudo mudou, lá estava ela, a minha futura melhor amiga, fiquei surpresa ao vê-la pois já nos conhecíamos. Éramos grandes amigas no ballet, mas por eu não gostar muito e confesso não ser boa sai e fui praticar minha paixão, a natação. Depois que sai nunca mais nos vimos, o que nós não sabíamos é que o destino faria nos encontrarmos de novo. E quais as chances né? No meu colégio você só entra passando por um sorteio e as duas entraram juntas no primeiro ano, acho que foi a única vez que fui sortuda na vida.


Depois de tudo isso levei uma vida calma, eu era e ainda sou apaixonada por esportes, ao longo da minha vida já fiz ballet, surf, skate, natação durante oito anos e atualmente vôlei. Acho que meu hobbie sempre foi o esporte, gosto muito de competição e a energia que ele traz. Acho que é minha forma de relaxar, esquecer o mundo ao meu redor e focar somente em mim.


Eu estava no sexto ano, tinha 12 anos e me sentia com cinco, estar em prédio novo com pessoas mais velhas me deixava desconfortável, mas no final aquilo era só bobagem e tudo ficou bem, bom naquele momento. A partir dessa idade a adolescência vai chegando e todos os sentimentos que eu sentia antes agora pareciam estar 10 vezes mais fortes. Ao longo do tempo fui formando minha própria opinião sobre diversos assuntos, aprendendo a dialogar sobre eles e no sétimo ano aprendi a expressar não só minha opinião, mas meus sentimentos também através da escrita. Pode-se dizer que eu ainda estou começando, não sei bem se tenho talento para tal prática.
Bom, essa sou eu, sem muitas experiências de vida para lhes contar, mas espero ter passado uma boa energia para você caro leitor e talvez ter criado uma conexão entre nós. Não sei o que o futuro incerto tem para mim, mas quero poder chegar na idade de minha vó e falar o que ela sempre me dizia “eu sou uma menina vivida”.

Objeto Cultural

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