sexta-feira, 17 de julho de 2020

Ainda serie uma menina vivida

O ano era 2005, finalmente meus pais iriam realizar o sonho deles. A vida teria entregado dois dias atrasado o presente de aniversário de meu pai, mas segundo ele o meu nascimento no dia 11 de abril foi a melhor coisa que já aconteceu com ele. Bom, meu nome é Marina e não sei se até o meus atual 15 anos vivi muito para lhes contar, mas prometo tentar. Se tem uma coisa em que eu acredito é em sintonia, segundo o dicionário esta palavra significa “Harmonia; modo semelhante de pensar, de sentir; em que há acordo, equilíbrio ou concordância”, e isso era exatamente o que os meus pais tinham naquela época. A conexão era muito presente, parecia que tudo se encaixava, até meu nome, digo isso pois minha mãe sempre pensou em colocar meu nome de Marina e quando meu pai soube o lindo significado que meu este tinha, ele se encantou. Marina significa “a que vem do mar” ou “deusa do mar”, isso era o que o meu pai sentia, ele que é nativo da ilha e que desde pequeno surfa e tem o oceano como sua casa, agora passaria essa energia e relação incrível com esta imensidão azul para mim.
Até os meus 6 anos a vida parecia perfeita, eu ainda não conhecia o mundo como ele é, para mim o mundo era que nem eu com aquela idade, ingênuo. Em 2011 isso mudou rapidamente, a separação dos meus pais teria causado isso, eu teria que crescer psicologicamente e internamente para entender o que estava acontecendo no momento, foi quando eu percebi, o mundo que eu conhecia não existe, a vida não era tão simples quanto eu achava que era. A partir do dia que eu saí da minha casa para morar com a minha vó tudo começou, as brigas que antes eram imperceptíveis para mim, agora teriam virado rotina. A vida se transformou em um vai e vem sempre indo de uma casa para outra. Enquanto estava com a minha mãe ela dizia que eu meu pai era irresponsável, que priorizava as outras pessoas e esse teria sido o motivo da separação. Tenho muito orgulho de meu pai pelos seus feitos e pela pessoa que ele é, mas confesso que hoje percebo que muitas vezes ele deixava a própria família de lado. Quando estava com ele, dizia que minha mãe era mentirosa e só falava bobagens. Com os dois sempre brigando entre si e colocando imagens na minha cabeça que me deixavam confusa, pois não correspondia com aquilo que eu conhecia, as únicas pessoas que me acalmavam eram meus avós e minha madrinha. 
Quando eu finalmente estava superando e entendo o término dos meus pais, outra notícia chega para me abalar. Minha vó por parte de pai teria falecido, a sensação era de um vazio no coração e eu sei que esse vazio nunca irá se preencher, pois as pessoas que a gente tem uma conexão, que marcam nossas vidas não são substituídas tão fácil assim. O que aquece meu coração são as lembranças da gente dançando na sala como se só existe nós no mundo. Me conforta saber que toda vez que eu olhar o céu escuro da noite ela estará lá, em forma de estrela iluminando minha vida.
2012 o ano que todos diziam que o mundo ia acabar, mas para mim a sensação era de que um novo ciclo estava se iniciando. Era meu primeiro dia de aula no Colégio de Aplicação, o frio na barriga e o nervosismo me consumiam, mas não era por conta do ambiente escolar afinal eu já tinha feito o ano pré escola no IEE (Instituto Estadual de Educação) e portanto estava acostumada, sentia aquilo por não conhecer aquelas pessoas e não saber o que elas iriam achar de mim. Quando eu entrei na sala de aula tudo mudou, lá estava ela, a minha futura melhor amiga, fiquei surpresa ao vê-la pois já nos conhecíamos. Éramos grandes amigas no ballet, mas por eu não gostar muito e confesso não ser boa sai e fui praticar minha paixão, a natação. Depois que sai nunca mais nos vimos, o que nós não sabíamos é que o destino faria nos encontrarmos de novo. E quais as chances né? No meu colégio você só entra passando por um sorteio e as duas entraram juntas no primeiro ano, acho que foi a única vez que fui sortuda na vida.


Depois de tudo isso levei uma vida calma, eu era e ainda sou apaixonada por esportes, ao longo da minha vida já fiz ballet, surf, skate, natação durante oito anos e atualmente vôlei. Acho que meu hobbie sempre foi o esporte, gosto muito de competição e a energia que ele traz. Acho que é minha forma de relaxar, esquecer o mundo ao meu redor e focar somente em mim.


Eu estava no sexto ano, tinha 12 anos e me sentia com cinco, estar em prédio novo com pessoas mais velhas me deixava desconfortável, mas no final aquilo era só bobagem e tudo ficou bem, bom naquele momento. A partir dessa idade a adolescência vai chegando e todos os sentimentos que eu sentia antes agora pareciam estar 10 vezes mais fortes. Ao longo do tempo fui formando minha própria opinião sobre diversos assuntos, aprendendo a dialogar sobre eles e no sétimo ano aprendi a expressar não só minha opinião, mas meus sentimentos também através da escrita. Pode-se dizer que eu ainda estou começando, não sei bem se tenho talento para tal prática.
Bom, essa sou eu, sem muitas experiências de vida para lhes contar, mas espero ter passado uma boa energia para você caro leitor e talvez ter criado uma conexão entre nós. Não sei o que o futuro incerto tem para mim, mas quero poder chegar na idade de minha vó e falar o que ela sempre me dizia “eu sou uma menina vivida”.

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