
"(...) Tão feio e tem duas mulheres. Ambas vivem juntas no mesmo barraco. Quando ele veio residir na favela veio demonstrando valentia. Dizia:
-Eu fui vacinado com o sangue de Lampeão!"
(página 48)
Neste trecho o homem que Carolina esta referindo-se diz que possui o sangue de Lampião. O homem da foto acima foi um grande cangaceiro nordestino que motivado por revolta, vingança e disputa de terras saqueou e dominou diversas fazendas, comércios, cidades da região do Nordeste.
"Hoje estou lendo. E li o crime do Deputado de Recife, Nei Maranhão. (..)"
(página 60)
Este ocorrido foi um crime cometido pelo Deputado Ney Maranhão no ano de 1958. O ato aconteceu no Cais Santa Rita(PE), devido a uma discussão entre o Deputado e Francisco Nunes, um motorista do Rio Grande do Sul. Em decorrência da briga o condutor foi assassinado pelo político, segundo o assassino a discussão teria se iniciado pois Francisco, que dirigia um caminhão, estava bloqueando a passagem do automóvel do Deputado Ney, com isso o parlamentar irritou-se e começou a atirar no chão para assustar o homem que interceptava seu caminho, porém isso resultou na morte de Francisco Nunes.
"... O senhor Juscelino tem de aproveitável é a voz. Parece um sabiá e sua voz é agradável aos ouvidos. E agora o sabiá esta residindo na gaiola de ouro que é o Catete (...)"
(página 35)
O Palácio do Catete situa-se no Rio de Janeiro e na época em que Carolina escreveu "Quarto de Despejo" era a residência do Presidente da República, atualmente é um museu.
Jesus, Carolina Maria de, 1914-1977.Quarto de Despejo: Diário de uma favelada/Carolina Maria de Jesus; ilustração Vinicius Rossignol Felipe-10º ed.-São Paulo: Ática, 2014



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